Dados de outros órgãos indicam queda; pandemia pode explicar as dificuldades de encaminhamento das denúncias

Foto: Amanda Dombrowski/foto de arquivo

       Entre os vários efeitos negativos da pandemia, ela permitiu maior contato entre os agressores e as vítimas de violência infantil. Dados do Conselho Tutelar Leste e Norte de Ponta Grossa mostram aumento das agressões no período de março de 2020 a março deste ano – apenas nos três primeiros meses de 2021, foram atendidas 488 ocorrências pelos dois órgãos, aumento de 275 atendimentos em relação ao mesmo período do ano passado, crescimento de 56%.

       Entre os 448 casos registrados, 148 são de violência física, 250 de violência psicológica e 90 de violência sexual. O Conselho Tutelar Leste é responsável por atender a maior parte das demandas, sendo responsável por Uvaranas – bairro com maior incidência – Itaiacoca, parte do centro e do Jardim Carvalho, além de outros locais.

       O aumento de casos registrados pelos Conselhos Tutelares não se reflete no Centro de Referência de Assistência Social (CREAS), para onde as denúncias são encaminhadas quando há necessidade de prosseguir com o atendimento à criança vítima de violência. O CREAS de Ponta Grossa vem registrando queda nas estatísticas dos últimos três anos: em 2019, foram 122; em 2020, 84; em 2021, 38.

        Isso ocorre porque nem todos os casos atendidos pelos conselhos tutelares são encaminhados ao CREA. “A decisão do acolhimento parte da identificação feita pelo Conselho Tutelar, ou através da necessidade observada pela técnica do CREAS”, informa a assessoria da prefeitura de Ponta Grossa. 

        Outro motivo da queda nos índices podem ser as dificuldades geradas pela pandemia. Atualmente, os atendimentos ocorrem de forma remota e, quando possível, presencialmente, com horário agendado e com as medidas de segurança contra a Covid-19.

         A Secretaria Municipal de Políticas Públicas, responsável pelos CREAS de Ponta Grossa, informa ainda que a maioria dos casos que ocorrem no município são relacionados ao sexo feminino e entre pessoas menos favorecidas economicamente. “Isso não quer dizer que não ocorram violações de direitos em outras classes sociais. Em geral, muitas vezes as famílias abafam o caso”.

          Subordinado à Polícia Civil, o Núcleo de Proteção à Criança e ao Adolescente Vítimas de Crime (Nucria) é outro órgão responsável pelo combate à violência infantil. Ele também registrou queda na quantidade de crimes denunciados contra a crianças e adolescentes. A baixa não representa diminuição, mas reflete a dificuldade das ocorrências chegarem à polícia ou entidades de combate, sobretudo durante a pandemia. 

           Ponta Grossa tem três conselhos tutelares; porém, até o fechamento da reportagem, em 2 de julho, o Conselho Tutelar Oeste não informou seus dados. A rede de proteção do município conta com três Conselhos Tutelares, CREAS, Vara da Infância e da Juventude, Delegacia do Adolescente, Nucria e quatro casas de acolhimento.

Ficha Técnica
Produção: Manu Benicio
Professores Responsáveis NRI: Muriel Amaral e Marcelo Bronosky.
Professor Responsável Texto: Marcos Zibordi.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *