Setor foi o único entre microempreendedores individuais que manteve a receita em abril de 2020

Se no começo da pandemia o artesanato era a única atividade que não tinha tido perda econômica na cidade de Ponta Grossa, a situação após mais de um ano de crise sanitária fez com que o setor tivesse queda no faturamento.

No ano passado, dados do relatório Impactos da Covid-19 na estrutura econômica de Ponta Grossa, do mês de abril, mostram que o artesanato manteve 100% da receita nas primeiras semanas de pandemia. Neste ano, profissionais do setor relatam queda no faturamento.

Presidente da Casa do Artesão de Ponta Grossa, Maria Luiza Cortês Cavazotti afirma que o fechamento do Parque de Vila Velha, onde a Casa funciona,  reduziu significativamente a receita. ‘‘Este mês de julho, vamos expor novamente os produtos, mas ainda muito aquém do que vendíamos’’. Os estabelecimentos de artesanato não são considerados essenciais, funcionando apenas com a liberação por decretos.

A pesquisa sobre os impactos econômicos da Covid-19 em Ponta Grossa entrevistou apenas Microempreendedores Individuais (MEIs) da área do artesanato, não os autônomos. A artesã e MEI Milena Ágata Santos conta que a pandemia afetou diretamente seu trabalho. Entre outras atividades, ela pinta paredes, o que só pode ser feito presencialmente. “Percebi que houve queda nos trabalhos, acredito que não só no meu trabalho, mas na área das artes e artesanatos em geral’’, completa.

 Artesã Milena Ágata realizando pintura em parede. Foto: Acervo Pessoal da artista

Milena passou a prestar serviços de ilustração digital, para os quais não precisa ter contato físico com os clientes. Atualmente, mantém uma loja online de papelaria e decoração. As vendas são enviadas pelos Correios.

O setor de artesanato tem muitos autônomos, como Tânia Lima. Ela reclama da falta de materiais por falta de fornecedores e a produção atrasou. “Mantive as vendas em torno de 60%. Divulgava meu trabalho nas redes sociais e entregava nas residências, a situação realmente ficou difícil para o setor na pandemia”, diz.

De acordo com a professora de economia da Universidade Estadual de Ponta Grossa, Augusta Pelinski Raiher, que fez parte da pesquisa sobre os impactos econômicos da Covid-19 na cidade, não existe previsão de um novo relatório. Por falta de dados, ela prefere não opinar sobre a oscilação dos setores.

A Prefeitura de Ponta Grossa não realizou nenhuma coleta de dados para medir o prejuízo da pandemia nos setores do comércio da cidade. Um levantamento realizado pela Associação Comercial, Industrial e Empresarial de Ponta Grossa (ACIPG) mostra que na cidade houve aumento de 0,75% nas vendas, no primeiro trimestre de 2021.

Produção: Mirella Mello
Professores Responsáveis NRI III: Marcelo Bronosky e Muriel Amaral
Professor Responsável Texto IV: Marcos Zibordi

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