Incidência de tristeza ou depressão, e de ansiedade ou nervosismo, em pessoas entre 18 e 29 anos, alcança percentuais de 54% e 70%

Pesquisa realizada no ano passado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) mostrou que pessoas com idades entre 18 e 29 anos são as mais afetadas por problemas psicológicos nas categorias “tristeza/depressão” e “nervosismo/ansiedade” na pandemia de Covid-19. O estudo nacional envolveu 45.161 brasileiros, sendo 6.819 da região sul do Brasil. O sofrimento psicológico nessas questões chega a percentuais de, em ordem respectiva, 54% e 70%.

Segundo a psicóloga Katya Litcy Schmidke, de Ponta Grossa, a maior prevalência de problemas na faixa etária pesquisada tem relação com “o momento de buscas e início do andamento de projetos de vida, mas as circunstâncias têm colocado maiores obstáculos”. Segundo a Fiocruz, 40% dos entrevistados com 29 anos ou mais relatam tristeza ou depressão, e 53% dizem estar ansiosos ou nervosos frequentemente.

A psicóloga aponta como causas “as restrições atuais no ensino, mercado de trabalho e outras áreas”. Ainda conforme a Fiocruz, 68,1% dos entrevistados com idades entre 18 e 29 anos relatam permanecer em casa, com saídas apenas para idas a supermercados e farmácias.

Um desses problemas é enfrentado pela professora Ana Paula da Cunha, 27. Ela não conseguiu se adaptar por completo ao ensino remoto, ainda que o veja como necessário. “Existe um desgaste maior, o ensino presencial ajuda a estabelecer um ritmo para o decorrer do dia, já no remoto perde-se parte disso e, além do estresse psicológico, há um cansaço físico devido ao aumento do tempo de tela”.

Para ela, “a incerteza em relação à realização das atividades cotidianas afeta o ânimo, porque a mente trabalha de acordo com o as experiências vivenciadas durante o dia a dia”. Para ela, “a ausência de controle e preocupações com a alimentação, estudos, trabalho e demais atividades cotidianas impacta a saúde mental, porque torna-se difícil evitar pensar nos aspectos negativos das circunstâncias trazidas pela Covid-19”.

A inserção no mercado de trabalho também está dificultada pela pandemia. O vendedor Felipe Ávila, 29, contratado neste ano, conta que a procura por empregos tornou-se maior, enquanto que o número de vagas disponíveis diminuiu. Apesar de ter conseguido colocação, “é muito complicado passar ileso nessas circunstâncias, sobretudo diante das preocupações excessivas com estabilidade, finanças e saúde”.

De acordo com dados da Junta Comercial do Paraná (Jucepar), 663 empresas foram extintas na cidade em 2020. Com relação ao número de demissões, o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED) aponta 35.696 pessoas despedidas no último ano.

Confira e entrevista com a psicóloga, Katya Litcy Schmidke, sobre maneiras de enfrentar as incertezas trazidas pelo contexto da Covid-19:

Ficha técnica:
Produção: Robson Soares
Professores Responsáveis NRI – III: Marcelo Bronosky e Muriel Amaral
Professor Responsável Texto IV: Marcos Zibordi

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