Existem 1.700 pessoas inscritas nos 34 cursos oferecidos pela administração municipal; todos exigem internet e computador

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostra que Ponta Grossa é responsável por mais da metade do Produto Interno Bruto (PIB) dos Campos Gerais. No entanto, as vagas ofertadas requerem habilidades e conhecimentos que os cursos oferecidos pela Prefeitura não ensinam. Como agravante, na Agência do Trabalhador as oportunidades de trabalho exigem, pelo menos, seis meses de experiência.

De acordo com a Prefeitura Municipal de Ponta Grossa, são disponibilizados 34 cursos de qualificação por meio da Secretaria da Indústria, Comércio e Qualificação Profissional. Os cursos ensinam a usar programas de computador e outros recursos de informática e contam, atualmente, com 1.700 inscritos. 

Porém, por conta da exigência dos softwares utilizados, não podem ser feitos pelo celular, o que dificulta a capacitação de candidatos sem internet e computador em casa. Segundo o representante da pasta, José Loureiro, a prioridade é o fortalecimento da indústria, do comércio e da utilização de novas tecnologias: “Precisamos garantir oportunidades de emprego, mas para isso é preciso investir em qualificação profissional para que as vagas de trabalho sejam ocupadas na totalidade”.

No dia 25 de março, a Secretaria lançou o 4° Feirão da Qualificação e Emprego. O evento tem custo zero para a realização, contando com palestras de parceiros. Apesar das dez mil inscrições realizadas, Loureiro confirma a média de 300 participantes. Como o processo de qualificação e emprego é demorado, a iniciativa não mensura o número de pessoas que saem empregadas. 

Há ainda o agravante dos cursos digitais disponibilizados estarem em descompasso com as vagas ofertadas pela Agência do Trabalhador. Confira:

Desemprego cresce mais do que as vagas

O número de desempregados na cidade passou de 20 mil, de acordo com dados atualizados da Prefeitura Municipal de Ponta Grossa. No período anterior à pandemia, o total era de, aproximadamente, 15 mil. Para a PMPG, o aumento se deve à crise sanitária do coronavírus mas, também, à falta de qualificação dos concorrentes às vagas, principalmente pela falta de experiência.

O desequilíbrio entre o número de desempregados e as vagas existentes fica ainda mais evidente se o compararmos com as oportunidades de emprego ofertadas pela Agência do Trabalhador de Ponta Grossa. Em fevereiro de 2020, foram abertas 710 vagas. No mesmo mês deste ano, foram 739. Ou seja, o desemprego cresceu muito mais (25%) do que o número de vagas (5%). 

Para a economista da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), Cleise Tupich Hilgemberg, o descompasso se deve à dinâmica da demanda do mercado: “As necessidades são alteradas de forma muito rápida. Por isso, as políticas de qualificação deveriam ser pensadas a médio prazo, observando a economia local”, afirma.

Falta qualificação para 30% das vagas

Segundo o levantamento realizado pela Agência do Trabalhador, a falta de escolaridade ou experiência profissional faz com que, pelo menos, 30% das vagas não sejam ocupadas. 

É o caso de Anna Andrade, jovem de 25 anos que desistiu de procurar emprego na Agência do Trabalhador: “Eu fui umas 25 vezes. Teve época que eu ia todo dia, seis horas da manhã eu estava na fila”. Anna procurava emprego em qualquer área; no entanto, não teve oportunidade, segundo ela, por falta de experiência. “Para me virar, eu trabalhava de diarista, de casa em casa. Mas esses cursos de qualificação, eu nunca ouvi falar”, conta.

O economista do Grupo de Macroeconomia da Universidade Estadual de Ponta Grossa, Karlo Marques, afirma que a questão da produtividade no Brasil e no mundo é discutida há décadas: “Temos uma deficiência na formação profissional e técnica da maior parte da população. Isso faz com que se tenha desempregados e, ao mesmo tempo, vagas que demandam certas habilidades técnicas que não são preenchidas”. 

O economista explica que, para um processo de crescimento, é necessário evitar e combater o apagão da mão de obra especializada. Para ele, a solução no momento passa por uma melhoria da educação profissional, no ensino básico e técnico.

 

Produção: Bruna Kosmenko
Professores Responsáveis NRI – III: Manoel Moabis,  Marcelo Bronosky e Muriel Amaral
Professores Responsáveis Texto IV: Fernanda Cavassana e Marcos Zibordi

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