Não há equipamentos, nem estrutura física e profissional para abrir novos leitos nos locais

A quantidade ideal de leitos para um hospital varia de 300 a 500 | Foto: Rodrigo Felix Real – Agência de Notícias do Paraná

Com leitos de UTI adulto lotados, conforme boletim epidemiológico divulgado ontem pela Fundação Municipal de Saúde, os hospitais privados de Ponta Grossa estão com 51 dos leitos ocupados, assim como, no Hospital Regional, 60 vagas têm pacientes – assim, não há capacidade física, equipe médica e equipamentos para abertura de novos leitos.

O Hospital Universitário (HU-UEPG) realizou a última ampliação utilizando leitos existentes, em março deste ano. Atualmente, para tratamento da Covid, 60 são de UTI e 64 são clínicos, enquanto quatro são emergenciais. Para as modificações, o hospital transformou 14 leitos de observação do pronto atendimento em Unidade de Terapia Intensiva e mais seis para UTI Covid.

Capacidade de leitos

De acordo com relatório realizado em 2019 pela Federação Brasileira de Hospitais e Confederação Nacional de Saúde, os hospitais são divididos em pequenos (até 50 leitos), médios (de 51 a 150 leitos) e de grande porte (de 151 a 500 leitos). Diante disso, para um bom desempenho, a quantidade ideal de leitos varia entre 300 e 500 para uma população de 200 a 250 mil habitantes.

No caso de Ponta Grossa, a estrutura dos hospitais deve ser de grande porte, pois a cidade tem 355.336 mil habitantes. Contudo, de acordo com o mesmo boletim epidemiológico da FMS, o município oferece 111 leitos – quantidade referente a hospitais de porte médio – para atendimento de UTI distribuídos nos hospitais Bom Jesus, Amadeu Puppi, Santa Casa e Universitário Regional.

A estrutura dos hospitais é classificada em hospitalar planejada, instalada, operacional e de emergência, as quais dizem respeito ao espaço, leitos utilizados para internação, capacidade dos leitos em utilização e os que possam ser ocupados, além do somatório de leitos que podem ser disponibilizados dentro do hospital, segundo o Ministério da Saúde.

Observe a arte abaixo para entender como é feito o cálculo de leitos segundo o Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde e a Agência Nacional de Saúde:

Ouça um exemplo de como este cálculo pode ser aplicado em Ponta Grossa:

Equipamentos e profissionais

De acordo com a infectologista Gabriela Margraf Gehring, outra questão a ser avaliada para ampliação é a estrutura física do local, ou seja, se o hospital tem recursos humanos. Além disso, deve ser considerado se há equipamentos, como pontos de oxigênio suficientes.

Gehring enfatiza que, sem respiradores disponíveis, não é possível a ampliação de leitos. No caso de Ponta Grossa, conforme levantamento do CNES realizado em março deste ano e divulgado pelo DATASUS, o município possui 162 respiradores.

Uma das unidades que não tem condição de ampliar o espaço para atendimento é o Hospital Vicentino e a Santa Casa, que aumentaram 20 leitos desde o final de 2020, mas não conseguem acompanhar o crescimento do vírus. “O ano passado conseguimos remanejar leitos e disponibilizar toda a estrutura física. Este ano com essa nova onda, infelizmente os recursos e leitos estão todos esgotados”, afirma Gehring.

Ficha Técnica

Produção: Natália Barbosa

Professores Responsáveis NRI: Muriel Amaral, Marcelo Bronosky e Manoel Moabis

Professores Responsáveis Texto: Fernanda Cavassana e Marcos Zibordi

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