Plano Municipal de Contingência não consegue atender todas as famílias necessitadas com cestas básicas 

A crise econômica causada pela pandemia de Covid-19, principalmente com o crescimento do desemprego no Brasil, aumentou a vulnerabilidade social, como em Ponta Grossa, onde as dificuldades alimentares das famílias mais pobres são agravadas com o aumento do custo dos alimentos, impactando o valor da cesta básica, que atualmente representa 64,29% do salário mínimo brasileiro, de R$1.045,00, segundo os dados divulgados pelo Núcleo de Economia Regional e Políticas Públicas (NEREPP), da Universidade Estadual de Ponta Grossa.

Para auxiliar famílias em situação de vulnerabilidade durante a pandemia, a Fundação de Assistência Social de Ponta Grossa (FASPG) criou o Plano Municipal de Contingência para o Enfrentamento à Covid-19 no Âmbito do Sistema Único de Assistência Social (SUAS). Segundo os últimos dados divulgados pelo Plano, Ponta Grossa tem mais de 12,4 mil famílias em condição de pobreza e extrema pobreza.

A coordenadora do Departamento de Atenção Básica, Tatyana Belo, afirma que o número de famílias atendidas pelo Plano Municipal de Contingência para o Enfrentamento à Covid-19 aumentou, principalmente, devido ao desemprego. “O aumento foi considerável: tem as famílias que já eram atendidas, mas com a pandemia, extrapolou o número”. 

Apenas nos primeiros dois meses de 2021, a Prefeitura distribuiu mais de quatro mil cestas básicas, quantidade igual a de todo o ano de 2019, sem pandemia. Em 2020, as doações ultrapassaram 10 mil cestas básicas.  

Belo informou que, no início das doações, as cestas eram destinadas apenas a famílias com o Cadastro Único atualizado. No entanto, com a crise econômica, muito mais gente passou a se encaixar no perfil dos beneficiados, e os critérios foram ampliados para atender mais pessoas. O benefício não é continuado, ou seja, ele deve ser solicitado no CRAS quando necessário. Segundo a coordenadora, o plano é alterado constantemente devido às mudanças geradas pela pandemia. 

Situação das famílias

Para uma família que não recebe nem mesmo um salário mínimo por mês, a situação com o aumento dos preços piorou. Denise Tomacheski está desempregada e conta apenas com o salário de R$800,00 do companheiro, Tadeu Tomacheski, para as contas do mês. “Agora está bem apertado, bem difícil. Você vai com 50 reais no mercado e traz uma ou duas sacolas, no máximo. É um absurdo, muito caro, sem contar a luz e água que temos que pagar”, diz. 

Ouça um áudio de Denise sobre a situação da família:

Segundo Tomacheski, a família recebe também o Bolsa Família, com o benefício básico de R$89,00. O valor é usado para comprar gás de cozinha, que custa em média R$90,00. Apesar da situação, Denise não tinha conhecimento das cestas distribuídas pela prefeitura. 

Ao solicitar o benefício ao Centro de Referência de Assistência Social (CRAS), foi pedido que ela aguardasse nova decisão da Prefeitura sobre os critérios de distribuição das cestas básicas. Após um mês da primeira tentativa, Denise ainda não tem resposta positiva. Segundo a Prefeitura, as famílias que solicitam a cesta básica passam por uma triagem técnica para que possam também ser incluídas em outros programas, com o objetivo de superar a vulnerabilidade social.

As famílias com prioridade no recebimento de cestas básicas são aquelas que estão em situação de pobreza, com renda por pessoa da família de até R$178,00, e extrema pobreza, com renda por pessoa de até R$89,00, considerando, também, outros fatores que agravam a situação de vulnerabilidade social. 

Cesta básica mais cara

Durante a pandemia de covid-19, o aumento dos preços de produtos alimentícios foi o principal responsável pela alta no valor da cesta básica, que custa atualmente R$671,84.

O economista Karlo Marques afirma que a alta do setor alimentício se deve principalmente ao aumento da inflação, da variação cambial e da queda de oferta dos produtos. Segundo ele, a alta da inflação e do dólar afetou diretamente os preços dos insumos usados para a plantação dos alimentos e, com as restrições sanitárias da pandemia, a produtividade diminuiu, e a oferta dos produtos, também. A cesta básica analisada pelo NEREPP contempla cinco grupos: alimentação geral, hortifrutigranjeiros, carne, higiene e limpeza.

Com o valor do salário mínimo a R$1.045,00, o custo atual da cesta básica representa 64,29% do salário. Para Marques, aumentar o salário mínimo não é a melhor opção para tentar reverter a queda no poder de compra do consumidor. “Se o salário mínimo cresce acima do ritmo de produtividade das empresas, isso pressiona o custo e pode desincentivar as empresas a contratar novos trabalhadores, inclusive levar à demissão. Se esse aumento for muito alto, ele pode significar maior nível de desemprego”, explica. 

Ficha técnica

Produção: Mariana Santos

Professores Responsáveis NRI: Muriel Amaral, Marcelo Bronosky e Manoel Moabis

Professores Responsáveis Texto: Fernanda Cavassana e Marcos Zibordi

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