Prefeitura de Ponta Grossa considera caminhoneiros como trabalhadores essenciais na pandemia da Covid-19

O aumento do preço do diesel precariza ainda mais a renda do caminhoneiro autônomo. Esse profissional ganha de acordo com o valor dos fretes realizados, descontadas os gastos com diesel, pedágio e manutenção do caminhão. Portanto, quanto maior é o valor do diesel, menor é o lucro.

De acordo com a Petrobrás e a Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), somente em 2021, o preço do diesel aumentou quatro vezes. Em dezembro do ano anterior, estava sendo vendido, em Ponta Grossa, a R$ 2,15, em média. Quatro meses depois, em abril de 2021, quase dobrou, sendo vendido a R$3,96. O pico do valor foi registrado em janeiro deste ano: R$ 4,09.

Os caminhoneiros autônomos não recebem salário fixo, atuam por conta própria. A reportagem entrevistou três desses profissionais e eles alegaram que o aumento do diesel, entre outros aumentos, como o da manutenção, diminuem o lucro no lucro do final do mês.

Um deles é José Olair, autônomo há dois anos. Olair assumiu a profissão depois que seu pai, também caminhoneiro, se aposentou. Para o herdeiro de volante, o problema é que “o diesel aumenta, o valor da manutenção aumenta e o valor do frete não acompanha esses aumentos. Fica muito complicado para a gente se manter”.

Trabalho na pandemia
De acordo com a prefeitura de Ponta Grossa, o trabalho do caminhoneiro é considerado essencial. Por conta disso, eles não pararam durante a pandemia. De acordo com os caminhoneiros entrevistados pela reportagem, o fluxo do trabalho e o contato com as pessoas aumentou. Um exemplo são as cargas de material para a construção civil, cuja demanda cresceu.

De acordo com o artigo “O enfrentamento da pandemia da Covid-19 na Central de Abastecimento (Ceasa) em Curitiba/PR”, o caminhoneiro está muito vulnerável à doença. Eles se movimentam por diferentes cidades, estados e, às vezes, países e acabam entrando em contato direto com diversas pessoas.

Uma das autoras do artigo, a mestranda Larissa Leonarda, explica que, para se proteger da Covid-19, os profissionais precisam “seguir o máximo possível as medidas de precaução e as prefeituras devem trabalhar para acelerar a vacinação do grupo e promover campanhas de educação e conscientização em saúde”. Mesmo sendo considerados profissionais essenciais e com alto risco de contágio da Covid-19, o caminhoneiro está no 27º lugar da lista de prioridade para vacinação.

Motoristas autônomos discutem greve

Greve dos caminhoneiros em 2018 – Foto: Agência Brasil

Os caminhoneiros autônomos estão em conversa para decidir sobre a possibilidade de uma greve em 2021, como aconteceu em 2018. De acordo com Olair, as condições de trabalho hoje estão inviáveis e não existe uma fiscalização do valor do frete fixo.

Desde a última greve, o governo federal publicou uma tabela de frete fixo a ser seguida pelas empresas. Porém, com o aumento do diesel, muitos contratantes não estão aumentando o valor do frete, como acontece com Olair.

Para a mestranda Larissa Leonarda, uma greve de caminhoneiros em 2021 traria à população pânico de desabastecimento de itens “com corridas aos supermercados, postos de gasolina e farmácias, promovendo aglomerações totalmente reprováveis para o momento que estamos vivendo”.

Ficha Técnica

Produção: Leticia Gomes

Professores Responsáveis NRI: Muriel Amaral, Marcelo Bronosky e Manoel Moabis

Professores Responsáveis Texto: Fernanda Cavassana, Marcos Zibordi

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