Fatores como sedentarismo, alimentação com baixo teor nutricional e doenças crônicas estão relacionadas ao avanço rápido da doença

Foto: Raylane Martins – tirada em 2018 e produzida pelo grupo Foca Foto

O Alzheimer corresponde a cerca de 40% a 60% dos diagnósticos em casos de demência no Brasil, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Atualmente, existem cerca de 1,5 milhões de pessoas vivendo com essa demência no país, e há uma estimativa de que este número se quadruplique nas próximas três décadas, de acordo com a Academia Brasileira de Neurologia.

Segundo Alan Sulareviscz, pesquisador da doença, fatores como o grau de escolaridade, sedentarismo, alimentação com baixo teor nutricional e doenças crônicas estão correlacionadas com o desenvolvimento e rápido avanço da doença. “Embora a genética seja um processo que não pode ser alterado, os demais estão diretamente relacionados à qualidade de vida da população”, explica.

De acordo com o médico e residente em neurologia no Hospital Regional, Rafael Hofmann, a doença altera a função cognitiva –  promove alteração de memória, linguagem e outros domínios. O indivíduo com Alzheimer passa a perder as funções e a independência, ter sua rotina alterada e a necessitar de o auxílio de outras pessoas.

Prevenção e tratamento do Alzheimer 

Segundo Hofmann, existem estudos que indicam que pessoas fisicamente ativas têm menos chances de desenvolver a doença. Isso ocorre porque essas pessoas têm um aumento no volume total do cérebro e do hipocampo, estrutura cerebral relacionada à memória. Para o médico, a prática de exercícios físicos deve ser estimulada como prevenção do Alzheimer. 

Um dos principais fatores de risco de desenvolvimento da doença é genético, mas ela também tem relação com outras doenças, como pressão alta, colesterol, diabetes e obesidade. Combater esses fatores diminui o risco de desenvolver essa demência. “O exercício físico atua nesses fatores de risco, melhorando os níveis de colesterol e de pressão arterial,” esclarece o residente.

De acordo com o médico, a prevenção é fundamental, uma vez que ainda não existe cura para o Alzheimer. Seu tratamento é feito com medicações apenas para amenizar a perda de memória, a alteração de comportamento e do sono. “A doença vai progredir, mas as medicações podem ajudar a melhorar a qualidade de vida desse indivíduo”, explica Hofmann.  Em alguns casos, o tratamento sem medicação também é indicado, com a atuação de profissionais de áreas distintas, como fonoaudiólogos, profissionais de educação física e nutricionistas.

Produzido por Fabiana Manganotti

Fatores de risco determinantes na doença

Uma pesquisa científica realizada em Ponta Grossa e publicada na Revista Interdisciplinar de Pesquisa em Ciências Farmacêuticas, evidenciou que a má alimentação, a herança genética e a diabetes foram os  mais significativos entre os fatores que influenciam o desenvolvimento da doença. Em 56% dos casos investigados, a má alimentação esteve significativamente relacionada ao desenvolvimento do Alzheimer.

A herança genética, mesmo não podendo ser alterada, e o diabetes também obtiveram consequências significativas. Os resultados mostram que todos os fatores que influenciam o desenvolvimento da doença estão diretamente ligados à qualidade de vida da população. 

A pesquisa foi realizada com base em evidências científicas e comparadas com um histórico da vida dos pacientes, a partir de informações obtidas por meio entrevistas com familiares e cuidadores dos pacientes. 

Referências

SULAREVISCZ, Alan Rodrigo; CARVALHO, Camila de Fatima; JASINSKI, Vanessa Cristina Godoy. DELINEAMENTO ETIOLÓGICO DA DOENÇA DE ALZHEIMER EM UM GRUPO DE PORTADORES NO MUNICÍPIO DE PONTA GROSSA E REGIÃO. Visão Acadêmica, [S.l.], v. 21, n. 3, dec. 2020. ISSN 1518-8361. Disponível em: <https://revistas.ufpr.br/academica/article/view/76052>. Acesso em: 08 mar. 2021.

ACADEMIA BRASILEIRA DE NEUROLOGIA. 21 de setembro – Dia Mundial da Doença de Alzheimer. Disponível em: <https://www.abneuro.org.br/post/21-de-setembro-dia-mundial-da-doen%C3%A7a-de-alzheimer> Acesso em: 08 mar. 2021.

Confira a entrevista completa do médico e residente em neurologia no Hospital Regional, Rafael Hofmann:

Produção: Fabiana Manganotti

Professores responsáveis: Fernanda Cavassana, Manoel Moabis e Marcelo Bronosky

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