84% dos municípios estão infestados

Ponta Grossa e outros 333 municípios paranaenses estão infestados com focos de dengue. O boletim epidemiológico da Secretaria de Saúde do Estado do Paraná (SESA) mostra que dos 399 municípios do estado, apenas 65 não estão infestados. Desses, a maioria está localizada na região metropolitana de Curitiba e no Sudeste. Isso indica que 84% dos municípios do estado apresentam infestação e apenas 16% estão com o Aedes aegypti controlado.

“O estado passou pela pior epidemia dos últimos 20 anos [em 2020]”, comenta a Coordenadora do Centro de Vigilância Ambiental da SESA, Ivana Belmonte. Neste ano, os números são maiores do que os de 2015 e 2016, quando ocorreu a epidemia de Zika vírus. Ao fim do ano epidemiológico de 2016, o estado teve 145.757 casos registrados e 61 mortes. Já em 2019 e 2020, foram mais de 227 mil casos e 177 óbitos.

Belmonte ressalta que o estado segue com epidemia, contudo não é tão ampla como a do ano passado. A dengue, que circula no Paraná passou a ter uma nova mutação vinda de outros estados, o que fez com que o ano epidemiológico de 2019-20 se tornasse um dos maiores já registrados. “Nós tivemos a prevalência por cerca de 10 anos do sorotipo DENV 1 no Paraná, mas no final de 2019 houve uma mudança bastante significativa e mais da metade dos casos eram DENV 2”, explica Belmonte.

A dengue em Ponta Grossa

De acordo com a SESA, Ponta Grossa está em condição de infestação pela dengue, quando se mostra necessário reforçar as políticas de prevenção contra o Aedes aegypti, popularmente conhecido como “mosquito da dengue”. No dia 5 de fevereiro, foi divulgado, pelo departamento de zoonoses da prefeitura, que o primeiro Levantamento de Índice Rápido do Aedes aegypti (LIRAa) do ano teve resultado de  0,4, que é considerado satisfatório.

O índice de infestação predial (IIP) é a relação expressa em porcentagem entre o número de imóveis positivos e o número de imóveis pesquisados. Quando o IIP fica abaixo de 1% é satisfatório, em condição de alerta quando este índice está entre 1 e 3,99% e em risco de desenvolver epidemia quando o índice atinge 4%. Os municípios atendidos pela 3ª Regional de Saúde estão com índices de infestação elevados. Sengés é o que mais se destaca, pois chegou a desenvolver epidemia e os outros municípios dos Campos Gerais correm o mesmo risco. Uma infestação ocorre quando o mosquito é encontrado em grande quantidade e a epidemia ocorre quando a doença passa a se alastrar.

Ponta Grossa registra oito casos nos primeiros dois meses de 2021

No município de Ponta Grossa, foram registrados oito casos de dengue nos dois primeiros meses do ano. Seis desses casos são de contaminação no próprio município, outros dois são casos importados. 

“Longos períodos de calor seguidos de muitas chuvas ajudam na propagação do mosquito”, comenta o coordenador do departamento de zoonoses de Ponta Grossa, Leandro Inglês. Ele afirma que o trabalho para conter a infestação conta com aplicação de veneno para matar os vetores. As vistorias ocorrem durante o ano todo, com intensificação nos períodos de calor e chuvas, que é quando o mosquito mais se reproduz.

Inglês reforça a necessidade de informação contra a dengue, pois a população “esquece as medidas básicas” de combate ao mosquito, como não deixar água parada. Inglês aponta que é necessário que cada um faça sua parte na prevenção para que se evite uma nova epidemia.

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