O município segue uma tendência nacional de queda, na qual milhares de homens e mulheres deixaram de realizar o principal exame preventivo contra o câncer de mama

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O número de exames de mamografia realizados em Ponta Grossa registrou uma queda significativa no último ano. Segundo a Prefeitura Municipal, o total de mamografias  realizadas no município em 2020 foi de 2.200, isto representa apenas 37% da capacidade da do sistema público de saúde da cidade e demonstra uma queda de 56% em comparação aos números de 2019, onde foram realizados 5.340 exames.

O tipo mamografia que apresentou a maior queda foi a de diagnóstico, indicada quando há alguma alteração, sinal de lesão e/ou sintoma, de 952 em 2019, para 321 em 2020, cerca de 66%. Já a mamografia rastreamento (de rotina) caiu de 4.338 em 2019 para 1.879 em 2020, representando uma queda de 56%. 

Além da queda no número de diagnósticos, a pandemia também afetou pessoas que faziam tratamento. Em Ponta Grossa, a Rede Feminina de Combate ao Câncer promove apoio às mulheres diagnosticadas com câncer. A ONG relata que teve diversas atividades afetadas em decorrência da pandemia, como a visita aos pacientes e reuniões para compartilhamento e troca de experiências.

Cenário nacional

Os dados do município seguem uma tendência nacional desde o início da crise sanitária. Segundo a Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed), o período entre maio de 2020 e janeiro de 2021 foi o de maior queda já registrada no número de mamografias no país. Nos anos anteriores, a quantidade de exames aumentava regularmente. Contudo, em 2020, o total de mamografias bilaterais para rastreamento realizadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) foi 53,1% menor que no ano de 2019. Durante o período mais rigoroso de restrições e isolamento da pandemia no Brasil, entre março e julho, estima-se que a queda nos exames de mamografia e cirurgias para retirada do câncer de mama tenha chegado a mais de 75%, em comparação ao mesmo período do ano anterior, segundo a Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM).  

Para o médico oncologista Luiz Nitami, “É comum que as pessoas pensem em dar prioridade ao isolamento neste momento, mas não se pode esquecer que o diagnóstico precoce é a maior arma contra qualquer tipo de câncer”, alerta. Segundo o especialista, o diagnóstico tardio é responsável por 30% dos óbitos de câncer de mama e poderiam ser evitados. “Com acompanhamento, conseguimos detectar o tumor logo no início. Nesses casos, o paciente possui mais de 90% de chance de cura”, prossegue.

Troca de experiências como aliada no combate ao câncer

O isolamento social traz uma série de complexidades ao enfrentamento do câncer. Um dos problemas é a ausência de contato com pessoas para partilhar experiências. As redes de apoio são ferramentas fundamentais que trazem compreensão e ajuda psicológica para auxílio dos pacientes. 

Para Dolores Araújo, que já teve e tratou câncer de mama, o isolamento é um fator negativo alarmante sobre os pacientes deste tipo de câncer. “Todos os tipos de câncer causam uma certa vulnerabilidade, mas quando falamos do câncer de mama, há um problema também de autoestima e autoconfiança. E a pandemia dificulta ainda mais. É importante não se sentir sozinha neste momento”, relata.

Para contornar isso, mulheres e homens acabam buscando apoio na internet. A jornalista Vanusa Vicelli, que também já tratou câncer de mama, é uma voluntária e palestrante em causas ligadas à doença. Por meio de um blog, ela se dedica a compartilhar experiências e criar um meio de conexão entre as pessoas que passam por este momento. Segundo Vanusa, dividir o apoio com pessoas em situações parecidas ajuda a pensar positivo nestas situações. “Muitas pessoas encaram o diagnóstico como um atestado de óbito antecipado, isso causa muita dor emocional.  Encarar como um desafio e olhar de cima para ele, torna a caminhada mais leve”, declara.

Reportagem: Hygor Leonardo

Supervisão: Professores Fernanda Cavassana, Manoel Moabis e Marcelo Bronosky

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