Há sete anos, o Hospital Universitário da UEPG utiliza a musicoterapia em pacientes internados na UTI Neonatal e, por conta da pandemia e problemas técnicos, o procedimento está temporariamente suspenso

O Hospital Universitário (HU) da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) trabalha com a musicoterapia na recuperação de bebês prematuros internados na Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (UTI-NEO). Um dos objetivos dessa terapia, é contribuir para redução do estado de alerta e, a diminuição da frequência cardíaca e respiratória, ao desenvolver o sistema motor, cognitivo e estimular o sistema auditivo dos bebês internados.

Esse processo terapêutico envolve mães e responsáveis, com o suporte da equipe multidisciplinar composta por médicos, enfermeiras, técnicos de enfermagem, fonoaudiólogas, fisioterapeutas, nutricionistas, psicólogos, dentista e assistentes sociais. Segundo o HU, a iniciativa faz parte de uma série de ações de humanização do atendimento hospitalar. Um dos objetivos é discutir ações dentro do hospital, com o intuito de minimizar ou suavizar os períodos de internamento prolongado. 

 

Arte: Matheus Rolim

Efeitos da musicoterapia

A coordenadora de enfermagem do Hospital da Criança em Ponta Grossa, Ângela Sousa, explicou que o processo terapêutico, dentro da UTI Neo, vai além de reproduzir uma música no ambiente. “Para ser considerado uma terapia, tem que ser feita rotineiramente em horário fixo e realizado junto a um protocolo”, ressalta. Segunda a enfermeira, os hospitais da cidade, que trabalham com a terapia, ainda não realizaram pesquisas apontando os resultados da utilização em bebês prematuros. Para isso, é necessário que o profissional avalie de acordo com sua área. “Se naquele período da internação, o bebê recebeu diariamente a musicoterapia, é quando percebemos se evoluiu o tratamento, tanto no ganho de peso, como na recuperação de infecções”, explica.

Embora o procedimento esteja temporariamente suspenso nas UTIs Neo, por conta da Covid-19 e dificuldades técnicas, a musicoterapeuta e professora da Unespar em Curitiba, Liliane Oliveira, ressalta que em vários países, durante a pandemia, musicoterapeutas têm estado na linha de frente no atendimento ao paciente com Covid-19, como também prestando assistência aos familiares e profissionais da saúde. “Como resultado, há uma diminuição no nível de estresse, o que contribui para menor tempo em unidade hospitalar, diminuindo custos e auxiliando na qualidade de vida de diversos pacientes e profissionais de saúde”, explica a especialista.

A musicoterapia como alternativa

De acordo com a musicoterapeuta, a prática objetiva o desenvolvimento dos pacientes, em suas possibilidades de existência e ação, assim como na reabilitação da saúde e na transformação de contextos sociais e comunitários. Assim, busca de forma alternativa a melhora de necessidades físicas, mentais, sociais e cognitivas na recuperação de funções do indivíduo.

Segundo Liliane, qualquer pessoa pode fazer esse processo terapêutico. “Qualquer criança, adolescente, adulto, idoso. Tanto em consultório particular, quanto em instituições que tenham o/a musicoterapeuta qualificado”, afirma. O profissional habilitado com formação reconhecida pelo MEC e registro na UBAM (União Brasileira das Associações de Musicoterapia), estabelece um plano de cuidado a partir do vínculo e avaliação específica, baseando-se na musicalidade e necessidade de cada indivíduo e/ou grupo. 

Desde 2014, a musicoterapia é assegurada à população brasileira como um dos 29 recursos terapêuticos ofertados pelo SUS. O recurso está incluído na pasta de Práticas Integrativas e Complementares (PICS), composta por uma série de tratamentos terapêuticos em que o propósito é prevenir doenças como a depressão e hipertensão, sendo utilizada em alguns casos no tratamento paliativo de doenças crônicas. 

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