Um museu para o Operário ou o sonhado museu ferroviário? Assunto ainda será discutido

A Universidade Estadual de Ponta Grossa e Operário Ferroviário serão responsáveis pelo novo museu, que levará o nome do clube, a ser instalado no espaço da Estação Paraná, na Rua Benjamin Constant, 318. O museu proposto pela UEPG tem como objetivo a preservação da história do clube centenário e da memória ferroviária. Ainda se discute se este será de fato um museu do Operário com a ferrovia como subseção, ou o foco será a memória ferroviária – o que é esperado há anos pela população – com uma ala para o futebol. Não há previsão de datas para o delineamento, criação e inauguração do projeto. 

Estação Paraná, localizada onde hoje é a região central de Ponta Grossa – Foto: Acervo José Francisco Pavelec

A proposta inicial  foi anunciada em setembro de 2020, quando entidades envolvidas com a preservação do patrimônio local discutiam um novo uso para o espaço da Estação Paraná, desocupado em 2019 com o deslocamento da Casa da Memória para outro edifício por conta de problemas no telhado. Como a UEPG Pplanejava a criação de um museu do Operário juntoao Museu Campos Gerais, a Associação de Preservação do Patrimônio Cultural (APPAC) sugeriu o uso da Estação Paraná. “A Universidade tem se esforçado para fortalecer a sua inserção no campo cultural, principalmente fortalecendo o Museu Campos Gerais. O Museu do Operário vem em um contexto de uma universidade que se preocupa e que se insere na dimensão cultural”, explica o responsável pelo MCG, Prof. Dr. Niltonci Batista Chaves. Em  janeiro de 2019, a UEPG e o Operário assinaram um convênio, que também viabilizou o Centro de Treinamento do clube dentro da universidade. 

“Defendemos que ali tem que ser feito um museu ferroviário em linhas gerais com uma parte destinada ao Operário. O Operário ocuparia apenas uma parte do museu, mas claro, mostrando a relevância para a cidade com todo o acervo que o Operário tem. Um museu só para o Operário e com menos espaço para um museu amplo ferroviário eu também sou contra. Mas se for essa a única saída, dos males o menor. O que não pode ser mesmo é um uso inadequado para o patrimônio cultural”, esclarece Leonel Brizola Monastirsky, membro da APPAC e do Conselho Municipal de Patrimônio Cultural. A Estação pertence à Prefeitura de Ponta Grossa, que neste ano chegou a cogitar transferir a sede do 1º Batalhão da PM para a Estação, e agora apoia a proposta do museu do Operário.

A Estação

Quando e como?

Segundo a Assessoria da UEPG, a documentação ainda está em trâmite e não há data prevista para o novo projeto. Enquanto isso, itens relacionados à memória ferroviária local estão divididos entre colecionadores, associações de ex-ferroviários e o Sesc Estação Saudade. Objetos de memória do Operário se encontram sob os cuidados do próprio clube. A Associação Avante Fantasma também é conhecida por armazenar, na sede da AAFA, registros que contam a história do time.

Para Niltonci,  o MCG pode contribuir com o Museu do Operário pela experiência de gestão acadêmica: “A nossa colaboração é principalmente dotar esse novo museu de uma perspectiva histórica interessante, que pense a partir de uma visão plural, uma visão não-elitista de sociedade, e que obviamente está atrelado a própria história do operariado, da ferrovia em Ponta Grossa. 

O atual grupo-gestor do Operário Ferroviário, que arquitetou o convênio com a Universidade, deve se desfazer ao fim da temporada 2020. Com isso, o apoio à criação do museu deve ficar sob responsabilidade de novos membros da parte do clube alvinegro.

Ao redor da Estação Paraná estão outros pontos importantes da cidade de Ponta Grossa – Foto: Reprodução

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