Pesquisa elaborou sugestões de políticas públicas para a retomada econômica do setor

Durante a pandemia, a maioria dos estabelecimentos de pequeno porte teve queda de 80% ou mais em seu faturamento. Foto: Agência Estadual de Notícias

As restrições impostas pela pandemia de Covid-19 também impactaram a economia de Ponta Grossa. Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) mostram que, nos primeiros meses de ‘quarentena’, o número de demissões superou o de admissões. Em abril, mais de 3 mil pessoas foram demitidas e 1.660 contratadas no município. Já em maio, quase 2.500 perderam o emprego e 2.255 foram admitidas. No entanto, o saldo de janeiro até novembro de 2020 é positivo, isto é, mais pessoas foram contratadas do que demitidas nesse período em Ponta Grossa.

Os números negativos de abril e maio refletem as duas semanas em que o comércio ficou fechado para evitar a propagação da Covid-19, de 23 de março a 06 de abril, quando a Prefeitura Municipal decretou a volta escalonada de setores comerciais. Para a professora de economia da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), Augusta Pelinski Raiher, a maior dificuldade foi a adaptação nesse período. “Foi exatamente no início quando teve o fechamento e eles não estavam ainda habilitados para trabalhar no on-line”, comenta.

Pesquisa feita pelo Conselho de Desenvolvimento Econômico de Ponta Grossa (CDEPG), com a participação de um grupo de professores da UEPG, concluiu que as empresas mais afetadas foram as de menor porte. “Nessa mudança de uma nova forma de comércio que não se fazia de portas abertas e que tinha que inovar, as pequenas empresas foram as que mais sentiram. Mais da metade não conseguiu se adaptar”, explica Raiher.

Veja a linha de tempo do fechamento e abertura do comércio em Ponta Grossa

Perfil dos setores mais afetados pela pandemia em Ponta Grossa

O relatório dos impactos da Covid-19 nas estruturas econômicas de Ponta Grossa mostrou que a maioria dos estabelecimentos de pequeno porte, microempresas e Microempreendedores Individuais (MEI) teve queda de 80% ou mais em seu faturamento. As áreas mais afetadas foram o turismo, eventos, transporte de pessoas e o comércio atacadista. Raiher explica que essas áreas não tiveram meios para se adaptar às restrições do isolamento social. Já o setor industrial, segundo a professora de economia, não sofreu grandes perdas, mas sentiu os efeitos da crise por conta da falta de insumos e “porque mercados internacionais começaram a dificultar a importação”.

Retomada econômica por meio da internet

Os professores responsáveis pela pesquisa sugeriram propostas de políticas públicas para a retomada da economia em Ponta Grossa mesmo com restrições em vigência. “Nós identificamos que no curto prazo havia a necessidade de construir sites coletivos, principalmente para os empresários do setor de serviços. Há necessidade de formar os empresários para eles atuarem em aplicativos de venda on-line”, comenta.

O diagnóstico é compartilhado pela Associação Comercial, Industrial e Empresarial de Ponta Grossa (ACIPG). Durante a pandemia, a ACIPG criou uma ferramenta de marketplace, que “surgiu de uma demanda e foi desenvolvida para dar suporte e possibilidades de negócios aos lojistas de Ponta Grossa”. Outras iniciativas prestaram assistência a alguns empresários, “com dicas, palestras e relatos sobre temas como tecnologia, ansiedade, mercado digital, aumento de vendas e nova legislação”.

Produção: Thailan de Pauli Jaros
Professores responsáveis: Fernanda Cavassana, Manoel Moabis e Marcelo Bronosky

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