Embora as taxas de juros estejam baixas, com o valor mínimo da SELIC, os preços dos materiais de construção só aumentam.

Os dados do CAGED (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) de outubro deste ano mostram que a construção civil foi a área que mais teve crescimento em 2020, com 6,39% de variação entre contratações e demissões. Foram 1.319.201 contratações com carteira assinada em todo o Brasil.

O Gerente Regional do CREA-PG, Vander Della Coletta Moreno, afirma que tanto em Ponta Grossa, como nos demais municípios de médio e grande porte do estado, foi possível observar um impacto negativo da pandemia no mercado da construção civil nos meses de março a maio, com redução de registros de projetos, obras e outras atividades. Mas de acordo com o Gerente, “de maio em diante observamos a normalização, recuperação e até mesmo elevação da atividade, comparando com o ano passado e anos anteriores, principalmente no interior do Estado”, afirma Moreno.

 

 

Impacto da pandemia nas empresas e na economia

Segundo a Construtora Prestes, que tem seus investimentos voltados para o programa Minha Casa Minha Vida, não houve demissões na construtora este ano porque a área está em alta, houve manutenção do ritmo e o saldo positivo de vendas, justificados pelos juros baixos ofertados ao setor. A empresa acredita que a incerteza atingiu todos os setores da economia, mas no caso da construção civil não houve retração.

O professor de economia da Universidade Estadual de Ponta Grossa e pesquisador Karlo Marques Junior afirma que é provável que o setor esteja animado com as taxas de juros baixas, uma vez que a SELIC (taxa básica de juros da economia) encontra-se no seu valor mínimo histórico e as taxas de financiamento imobiliários estão bem reduzidas. Para o professor “outro fator que pode dar um ânimo para o setor é que a poupança agregada cresceu significativamente devido ao isolamento social e por motivos precaucionais e esse recurso pode financiar reformas e a entrada de novos financiamentos”, destaca Karlo.

 

Alta nos preços dos materiais

Jéssica Les é dona de uma loja de materiais e conta que os preços dos materiais básicos para uma obra subiram em comparação de janeiro para dezembro. “Aqui na loja percebemos que com as pessoas ficando em casa, por conta do isolamento, houve aumento nas obras, os materiais de acabamento tiveram uma grande alta nas vendas neste período”.

Outro ponto destacado por Jéssica é o aumento dos preços dos materiais, a empresária acredita que isto se dá pela exportação de matéria-prima, mas, principalmente, pela redução de produção nas fábricas. “Estamos com um baixo estoque de tijolo pois as empresas não têm para reposição, os canos também estão em falta, pedimos uma carga completa de eternit e nos enviam um terço. Estamos perdendo de vender pois as empresas não tem produtos para nos repassar” conta a empresária.

 

Acompanhe no gráfico o aumento dos preços dos materiais durante o ano.

 

Ficha Técnica

Produção: Milena Oliveira

Professores Responsáveis: Fernanda Cavassana, Manoel Moabis e Marcelo Bronosky.

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