Revista Nuntiare

Vazio profundo: a depressão entre universitários

Verônica Scheifer

Quando se encontra alguém pelos corredores da universidade sorrindo não é normal imaginar que há tristeza naquela pessoa. Geralmente, as pessoas que sofrem a depressão não demonstram aos demais e isso faz com que a doença acabe se agravando.

Segundo dados da OMS (Organização Mundial de Saúde) de 2018, o Brasil é o país que mais apresenta casos de depressão.Durante a graduação, os estudantes enfrentam diversos obstáculos que surgem de maneira gradativa durante o curso.

Os obstáculos podem ser externos ou internos à universidade, mas o que faz com que muitos acabem adoecendo muitas vezes é a falta de atenção a esses problemas que surgem no dia a dia de cada um. “A questão da depressão e ansiedade é um tema do momento. O nosso jovem está em um período de muita pressão social”, afirma a assistente social da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), Cleunice Castorina de Souza.

A assistente social aborda temas como a questão política atual que acaba atingindo os jovens, que muitas vezes percebe, mas acaba sofrendo as consequências pelo processo de não saber o que irá acontecer no futuro.

Na UEPG há um programa que oferece acolhimento aos jovens que sofrem de depressão ou qualquer outra doença psicológica. O Programa UEPG Abraça foi uma iniciativa da reitoria da universidade em 2019.

Antes do programa, a universidade contava com uma psicóloga efetiva e outros que atendiam em determinados momentos por serem colaboradores. O “UEPG Abraça”  visa oferecer acompanhamento psicossocial gratuito não somente a alunos, mas a toda comunidade universitária, incluindo funcionários e professores.

Conforme o projeto, “a depressão é muito mais que humor triste. A pessoa com depressão tende-se a isolar, perder o interesse e a força de vontade e não consegue voltar a se alegrar como antes. A depressão deve ser tratada.” O programa conta com seis estagiários de psicologia da Faculdade Sant’ana  e três psicólogos do Hospital Universitário.

A depressão não escolhe idade, curso ou momento da vida de um estudante. A professora do departamento de Medicina da UEPG, Fabiana Mansani, realizou um estudo que apresenta dados estatísticos da depressão entre os acadêmicos do curso. Dos acadêmicos de medicina, 67% apresentam altos níveis de estresse, 44% têm predomínio a depressão, conforme o estudo de Fabiane Mansani realizado em 2018 nos cursos da área de Ciências Biológicas e da Saúde.

Na universidade, o primeiro acolhimento do estudante é feito pela Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (PRAE), que fornece aos estudantes as informações para se dirigir ao UEPG Abraça. A assistente social, Cleunice Castorina de Souza destaca a importância do atendimento humanizado ao estudante quando procura ajuda.“Eu faço o primeiro atendimento e já lanço esse olhar de acolhida. Primeiro eu preciso ver qual o contexto que o nosso jovem está inserido, quais são os problemas que ele está sofrendo no momento, para aí então encaminhar para o programa, que é coordenado pela professora Lara de Enfermagem”, explica Cleunice Souza.

A assistente social explica que o projeto terá enfermeira, psicólogos e assistente social na equipe que já oferecem atendimentos para a comunidade universitária. “No ano passado tivemos situações graves e a procura é muito grande. Eu calculo que uns três alunos por dia me procuram para encontrar um acompanhamento ideal”, revela Cleunice.

A depressão é uma doença bastante comum atualmente, mas pode afetar gravemente a vida das pessoas. Por isso, quando o diagnóstico é feito com antecedência é de extrema importância para que possa ser tratada.

A coordenadora do programa, enfermeira e professora do departamento de Enfermagem, Lara Simone Messias, destaca a importância do UEPG Abraça para a reabilitação das pessoas da universidade que procuram ajuda.

“A importância para a UEPG é como o nome do serviço já diz: o programa UEPG Abraça nossa comunidade universitária nas questões de saúde mental, com acolhimento, escuta diferenciada, suporte e com foco na reabilitação psicossocial e cidadania aos nossos usuários” acrescenta Lara.

O estudante diante das dificuldades enfrentadas,  durante o curso e a vida como um todo ,pode encontrar-se perante essa doença que afeta várias pessoas. O acolhimento da família ou de pessoas especializadas em saúde mental se tornam necessárias para que o bem estar emocional seja retomado.

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