Revista Nuntiare

Grupo de extensão da UEPG promove educação sexual em escolas estaduais do município

Enaira Schoemberger e Priscila Pires

O Grupo de Estudos em Currículo Educacional (GECE) é um projeto desenvolvido na Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) dentro do Programa de Extensão Laboratório de Estudos de Letras (LET). A sua principal finalidade é compreender a concepção, a organização e o desenvolvimento do currículo educacional no ensino superior e na educação básica (ensino fundamental – séries finais e ensino médio). Uma de suas iniciativas é a orientação sexual em escolas públicas do município.

Os dados mais recentes de gravidez precoce na cidade de Ponta Grossa disponibilizadas pelo Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde do Brasil (DATASUS) são de 2016 e contabilizam um total de 657 casos no ano. No Brasil, de acordo com o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), durante o período de 2006 à 2015, evidenciam índice de 65 gestações para cada 1 mil meninas de 15 a 19 anos, enquanto a taxa mundial de gravidez na adolescência é de 46 nascimentos para cada 1 mil meninas entre 15 e 19 anos

O grupo já participou de debates em cinco escolas e uma Organização Não Governamental, os trabalhos são voltados para o público em geral pais/mães e alunos/as. A professora do departamento de Letras da UEPG e coordenadora do GECE, Lucimara Braga conta como foi a recepção em geral desse público, “para os participantes foi muito bem avaliado e elogiado. Já em uma das escola em que fomos trabalhar com professores/as tivemos dificuldades com o diálogo, constatamos certa resistência (decrescência), principalmente por parte de corpo docente com maior tempo de magistério”, relata.

A VIDA EM UM PEDAÇO DE PAPEL

A Nuntiare acompanhou a oficina ministrada no Colégio Estadual Senador Correia, nas salas dos nono anos do período diurno. O grupo dividiu-se em três pessoas para as duas salas e iniciou conversas direcionadas para o entendimento da orientação sexual e sobre o direito reprodutivo da mulher, garantido pela LEI MUNICIPAL nº 10.363, do artigo 3 como um dos viés “garantida a liberdade de opção”.

Uma das dinâmicas funciona com os alunos escrevendo em um pedaço de papel a sua vida, as relações familiares e como enxergavam o seu futuro. Essa pedagogia ajudou na “quebra do gelo” entre os extensionistas e os alunos. Relatos dos adolescentes traziam questões de depressão e problemas estruturais dentro da família. Por meio de uma forma pedagógica, o grupo conseguiu discorrer sobre as principais considerações dos adolescentes por essa dinâmica.

Uma das estudantes participantes, Clara do Prado, que cursa Letras Espanhol na UEPG, conta que a iniciativa veio por meio dos calendários de movimentos sociais no mês da mulher (março), “começou como um dos projeto referentes ao dia da mulher e incorporamos para o grupo”, afirma Prado. “As intervenções que fazemos nas escolas estaduais sobre gravidez na adolescência são intervenções extensionistas, há também a parte de pesquisa o qual fazemos relatórios dos resultados dessa intervenção”, explica a aluna sobre como funciona a ponte entre extensão e pesquisa no projeto.

A professora coordenadora do grupo, Lucimara Braga, conta que cada escola apresenta uma demanda “quando vamos até as escolas ou instituição apresentamos uma síntese do que é o projeto e a partir daí a escola/instituição manifesta qual a temática que gostaria que abordássemos”, explica.

Braga acredita que existe uma defasagem em abordar educação sexual nas escolas, porém os currículos educacionais apresentam brechas onde esse assunto pode ser discutido. “Como nos encontramos no terceiro ano de funcionamento, percebemos que os currículos em geral, da educação básica ou da educação superior não abordam diretamente nenhuma questão de educação sexual, entretanto há espaços, nestes documentos em que conseguimos inserir as temáticas diversas que vai desde a educação sexual até as questões políticas”, relata a professora.

JORNAL ESCOLA ABORDA EDUCAÇÃO SEXUAL

Em 2018 o grupo de extensão “Direitos Humanos, Jornalismo e Formação Cidadã”, do curso de Jornalismo da UEPG, com o site de nome Elos, promoveu uma oficina para auxiliar na criação do jornal escola no Colégio Estadual Professor Meneleu Almeida Torres. Nas pautas trazidas pelos alunos, havia uma preocupação maior em divulgar educação sexual. Confira o relato da oficina no link: https://elos.sites.uepg.br/posts/elos-organiza-oficina-em-escola-estadual/

Segundo a estudante da escola, Luana Karla de Lara Amaral, a educação sexual chamou a atenção dos alunos por conta do número alto de gravidez precoce naquele ano. “Esse tema foi abordado devido ao número de adolescentes grávidas que cursam o ensino médio, que anda aumentando”, explica Amaral. “Como o jornal era algo novo no nosso colégio, chamamos dois professores, um de ciências e outra de Biologia, para ajudar a fazer a matéria que foi escrita pelo ex-aluno do terceiro ano Marcelo Augusto Auwerter”, conta a estudante.

A aluna espera que com a veiculação do assunto – educação sexual – no jornal escola, os alunos possam compreender melhor a situação em que o colégio se encontra, “a matéria foi publicada com a esperança que os alunos lessem e tomassem conhecimento da situação”, afirma a aluna.

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