Revista Nuntiare

Karl Marx: 200 anos de influência na política e na ciência

“Para coletar madeira verde, deve-se arrancá-la violentamente da árvore viva. Enquanto coletar madeira morta não remove nada da propriedade. Apenas o que já está separado é removido da propriedade. Apesar dessa diferença essencial, ambos os atos são chamados de roubo e são punidos como tal. Montesquieu cita dois tipos de corrupção. Um, quando as pessoas não observam as leis. E outro, quando a lei os corrompe”. É com esse trecho do livro 'Os Despossuídos' que o filme “O jovem Karl Marx” se inicia. O filme tem por objetivo retratar como se deu o desenvolvimento das teorias do economista que refletem e contribuem na produção científica mundial até os dias de hoje, 200 anos depois do nascimento de Marx.

Batizado como Karl Heinrich Marx, o filósofo e economista nasceu na Alemanha, numa família de classe média de origem judaica no ano de 1818. Ainda jovem, Marx ingressou na Universidade de Bonn, na Alemanha, para cursar Direito, transferindo-se posteriormente para a Universidade de Berlim, onde abandonou o direito e passou a se dedicar ao estudo da Filosofia. Na capital alemã, Marx conhece Georg Wilhelm Friedrich Hegel – um grande influenciador nas teorias marxistas e também professor e reitor da Universidade de Berlim. Na mesma cidade, o jovem Marx também participou do chamado 'Clube dos Doutores da Esquerda', também influenciando o desenvolvimento de suas teorias. No ano de 1841 foi concedido a Marx o título de doutor em Filosofia, e partir daí, passa a se dedicar à vida política.

Ricardo Feijó, professor de economia da Universidade de São Paulo (USP), afirma em seu trabalho 'A ideia de ciência em Karl Marx', que “Marx acreditou na ciência, considerando-a como forma superior e privilegiada de conhecimento.

Acidentalmente, veio a interessar-se pela contribuição dos economistas britânicos, graças ao exílio em Paris – onde conheceu Friedrich Engels, que lhe apresentou a novidade”, de acordo com o professor, Marx desenvolveu suas teorias com embasamentos científicos. O pesquisador de Ciências Sociais, João Guilherme de Souza, ressalta em seu trabalho 'Relação Marxismo e ciência: Luta de classes, superação da filosofia e emancipação humana' que “Marx desenvolveu toda sua densa produção bibliográfica e formulou sua teoria da história sempre às margens da academia, e mesmo depois da sua morte, após muitos outros pensadores, além do proletariado internacional, terem reconhecido a imensidade, originalidade e riqueza de sua produção, o marxismo continuou por muitos anos fora das universidades”.

No contexto brasileiro, as pesquisas científicas com embasamento marxista nem sempre foram aceitas e muito menos empregadas nas instituições de ensino do país. Para os professores da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), Amarílio Ferreira Júnior e Marisa Bittar, em sua pesquisa intitulada 'O marxismo como referencial teórico nas dissertações de mestrado em educação da UFSCar', afirmam que o “regime militar, ao mesmo tempo em que implementava o seu modelo econômico, introduzia profundas transformações no campo educacional buscando, pela via prussiana, adequá-lo ao modelo de modernização autoritária”. Em 1968, durante a ditadura imposta pelos militares, foi realizada uma espécie de 'reforma universitária' a partir da Lei nº5540 e a instituição dos 1º e 2º graus no ensino básico, que na opinião de Amarílio e Marisa “introduzia mudanças institucionais que significaram um ponto de inflexão na história da educação brasileira, pois deu início à ampliação quantitativa do acesso das camadas populares à escola pública. Além disso, duplicou de quatro para oito anos a obrigatoriedade do ensino fundamental”.

Capa do Manifesto do Partido Comunista original

Reportagem
Juliana Lacerda
Nicolas Ribeiro

Ou seja, mesmo se utilizando de sistemas explicados por Marx e Engel na teoria do sistema socialista, muitas das aplicações da URSS tomaram uma distância quando colocadas em prática e passaram a compor um sistema próprio soviético, a exemplo da chamada “Teoria da Reprodução e Política Econômica”, a qual explica a relação entre consumo e acumulação de capital, e que serviu de base para se “descobrir” o poder de crescimento dos meios de produção diante dos bens de consumo, o que mais tarde Stalin passou a chamar de “lei da prioridade da produção de meios de produção.

Parte do pensamento de Marx foi traduzido em O Capital, livro publicado em 1867 que tratava de economia e a questão da exploração da classe trabalhadora visto que o capital não possui uma distribuição de forma igualitária mas ao contrário, acaba que sendo concentrado sempre com aqueles que exploram e detém poder do capital. Por conta desta e de outras publicações do filósofo alemão – a exemplo, o Manifesto Comunista- não só o meio científico se alterou, mas todas as esferas sociais passaram a ser influenciadas e a utilizar dessas teorias para analisar e compreender as formas de funcionamento que compõe cada sociedade. Os ideais marxistas se tornaram uma filosofia influenciadora, com o passar dos anos, da política, da economia, da ciência e diversas outras áreas que se utilizam das explicações de Marx.

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