Revista Nuntiare

Dessalinização e necessidade permanente de conseguir água potável para o mundo

Entre os variados métodos de indústria para o tratamento de água, a dessalinização é vista como uma saída para a escassez

 

A escassez de recursos hídricos é uma das grandes preocupações mundiais neste início de século. Em função da grande oferta representada pelos oceanos, um dos caminhos para proporcionar uma maior quantidade de água doce no mundo é fazer uso do processo de dessalinização. O método, um dos dos mais estudados atualmente, consiste em um processo no qual é separado o sal da água, transformando a água salgada e/ou salobra – imprópria para consumo – em potável.

A técnica de dessalinização também é bastante utilizada em regiões com poucos recursos hídricos, garantindo o abasteci- mento mesmo em condições pouco favoráveis. Na região semiárida do Nordeste do Brasil, por exemplo, é comum encontrar água salobra nos poços perfura- dos, sendo imprópria para consumo devido ao alto grau de salinidade.

Diferentes tipos de água no mundo

Segundo a resolução nº375 de 2005 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA), a água salgada apresenta alta concentração de sal, principalmente o cloreto de sódio (popularmente conhecido como sal de cozinha), e possui salinidade igual ou superior a 30%. É o líquido mais abundante do mundo, representa cerca de 97,5% do total.

A água doce é a que possui salinidade igual ou inferior a 0,5%. É o líquido próprio para consumo, seja para atividades domésticas como beber, cozinhar, tomar banho; ou para outras atividades do dia a dia, como indústrias, agropecuária etc.

Por fim, a água salobra é a que apresenta nível de salinidade intermediário entre a da água doce e a da salgada. Pode resultar a partir de mistura do líquido do mar com água doce, como em estuários ou em aquíferos fósseis salobras. Como a água salobra é hostil ao crescimento da maioria das espécies de plantas terrestres, sem gerenciamento adequado é prejudicial para o meio ambiente.

 

Em Ponta Grossa, existem pesquisas nas áreas de química e engenharia que buscam estudar o processo de osmose reversa como uma aplicação para dessalinizar a água. Os estudos práticos são feitos no litoral paranaense, na estação de Tratamento de Água de
Praia de Leste, pertencente a Companhia de Saneamento do Paraná (SANEPAR), na cidade de Pontal do Paraná. A pesquisa de
Juliano Almeida, como dissertação de Mestrado em Engenharia Sanitária e Ambiental da UEPG, por exemplo, traz informações
sobre a eficiência da dessalinização; e conclui que a técnica, quando feita por ultrafiltração e/ou osmose reversa, é viável de implantação em várias estações de tratamento de água no litoral do Paraná.

O mestrando em Engenharia Sanitária e Ambiental da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), Henrique Schiochet, estuda o tratamento do concentrado salino. Conforme Henrique, a estação em Praia de Leste é uma das primeiras que utiliza osmose reversa como forma de dessalinização no Brasil. Contudo, conforme os estudos apresentados, a técnica pode ser implementada em outras regiões do Paraná, já que se mostra como eficiente no processo de dessalinização da água.

Processos e métodos

A dessalinização consome grande quantidade de energia e depende de plantas de produção específicas que possuem alto curso. Existem métodos conhecidos para fazer a separação artificial de água e sal. O primeiro a ser testado foi através da destilação artificial, um processo que utiliza o princípio de evaporação em grande escala para separar as partículas de sal da água. A
primeira estação dessalinizadora com o método de destilação artificial foi instalada em Curaçao, país pertencente a América do Sul, em 1928.

Atualmente, os processos de dessalinização utilizam tecnologias da indústria química. Uma corrente de água salina é alimentada no início do processo com energia na forma de calor, pressão ou eletricidade; e duas correntes são produzidas: uma de água dessalinizada (doce) e outra concentrada em sais que deve ser disposta em local adequado.

Destino dos resíduos

A partir do processo de dessalinização, além da obtenção de água potável, gera-se também uma corrente do recurso hídrico bastante concentrada de sais que deve ser disposta em local apropriado. O principal destino dos rejeitos é o retorno para o mar, mas segundo o Ministério do Meio Ambiente, a recirculação de salmoura dentro dos mares altera o ecossistema e o grande volume faz a água voltar ainda mais salgada.

A mestre em Engenharia Sanitária e Ambiental da UEPG, Marina Berton Zaika, afirma que a dessalinização de água é vista como uma das alternativas para solucionar o problema de abastecimento de água no mundo. Do processo de tratamento é gerado o permeado (água com concentração reduzida de minerais) e o rejeito salino, que possui concentração elevada de sais e alto poder poluente.

 

“Apenas algumas espécies de plantas conseguem sobreviver às altas concentrações de sais, mas a maioria não cresce, não se desenvolve, não produz, acaba secando e morrendo. É muito difícil recuperar o solo novamente. Por isso, são necessárias pesquisas que busquem alternativas de tratamento para o rejeito salino de maneira a amenizar os efeitos adversos causados ao ambiente pelo descarte inadequado do resíduo”

Marina Zaika, mestre em Engenharia Sanitária e Ambiental da UEPG

Dentre as alternativas para descarte do rejeito salino, destacam-se: despejo no mar, o que pode alterar o ecossistema na região do descarte; a injeção em poços de grande profundidade; e o despejo em sistemas de esgoto sanitário, em sistemas hidropônicos ou de irrigação, mas esses são muito caros. "As estações de tratamento não estão preparadas para remover alta concentração de sais, o que interfere no ecossistema do destino final do esgoto tratado", diz Marina.

Segundo a mestre em Engenharia Sanitária e Ambiental, no Brasil, em geral, o rejeito não recebe qualquer tratamento. Mesmo assim, é despejado no solo por meio de irrigação e disposição oceânica, o que provoca acúmulo de sais nas camadas superficiais do terreno e acarreta em impactos negativos ao meio ambiente. “Apenas algumas espécies de plantas conseguem sobreviver às altas concentrações de sais, mas a maioria não cresce, não se desenvolve, não produz, acaba secando e morrendo. É muito difícil recuperar o solo novamente. Por isso, são necessárias pesquisas que busquem alternativas de tratamento para o rejeito salino de maneira a amenizar os efeitos adversos causados ao ambiente pelo descarte inadequado do resíduo”, ressalta Marina.

Para o mestrando em Engenharia Sanitária e Ambiental da UEPG, Henrique Schiochet, o tratamento de água deve ser pensado de forma integrada, com o objetivo de encontrar finalidades para o resíduo gerado no tratamento. “Existem poucos estudos que pesquisam uma forma eficiente de destinação da salmoura gerada na dessalinização. É preciso procurar novas alternativas para tratar também o resíduo”, afirma Schiochet.

"Nova Alternativa"

A Organização das Nações Unidas (ONU) defendeu no Dia Mundial da Água (22 de março) que a principal solução para resolver os problemas hídricos com baixo custo, são ações e estratégias baseadas no meio ambiente.

"As estações de tratamento não estão preparadas para remover alta concentração dos sais, o que interfere no ecossistema do destino final do esgoto tratado"

Marina Zaika, Mestre em Engenharia Sanitária e Ambiental

Reportagem
Jaqueline Andriolli

 

“A resposta está na natureza” defende o relatório apresentado O relatório traz estratégias de preservação e restauração ambiental que podem proteger o ciclo da água e melhorar a qualidade de vida da população. São iniciativas que focam na gestão de recursos ambientais, como vegetação, solos, mangues, pântanos, rios e lagos, utilizados por suas capacidades naturais para o armazenamento e limpeza da água.

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