Revista Nuntiare

Universo eternizado num buraco negro

A morte de Stephen Hawking deixou várias lacunas a serem respondidas, entretanto o seu nome ficou na história como um dos maiores cientistas contemporâneos

Stephen Hawking foi um dos estudiosos mais famosos do campo da física contemporânea, e colaborou no desenvolvimento de diversas teorias que tiveram grande impacto na humanidade. Hawking trabalhou com Cosmologia, sobretudo no esforço de compreender a lógica os buracos negros. Faleceu no dia 14 de março deste ano, devido a Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), doença que foi detectada quando tinha apenas 21 anos.

O cientista nasceu em Oxford, e ingressou na University College em 1959, onde estudou física por três anos, e obteve seu doutorado em Cambridge, em Trinity Hall. Hawking era portador de ELA, doença degenerativa que iria progressivamente paralisar seus músculos, através da qual o levaria à morte em apenas três anos. Apesar da doença, o físico continuou realizando suas pesquisas no campo da cosmologia teórica e gravidade quântica, escrevendo diversos livros que divulgavam suas teorias, entre eles está “Uma Breve História do Tempo: do Big Bang aos Buracos Negros”. O livro traduzia em termos menos complexos algumas teorias físicas, entre elas a dos buracos negros, talvez um dos motivos pelos quais se tornou praticamente um astro pop da física.

O gênio britânico foi casado duas vezes. A primeira esposa foi Jane Wilde, com quem teve três filhos. Sua segunda esposa foi a enfermeira Elaine Mason, com a qual se separou em 2006. O físico passou grande parte de sua vida em uma cadeira de rodas, devido à doença que sofria, e em 1985 perdeu a habilidade de falar, após ser submetido a uma traqueostomia. A partir de então, usou um computador com voz eletrônica para se comunicar. Inicialmente, Hawking foi diagnosticado com apenas três anos de vida, porém a doença avançou de maneira muito mais lenta que a prevista, tornando-o atual recordista no quesito longevidade pós-diagnóstico.

Teorias interrompidas

A contribuição de Hawking para o crescimento do campo da física em diversas teorias é inegável, mas ele nunca concorreu ao Prêmio Nobel de Física, que nomeia o pesquisador mais promissor na produção de conhecimentos na área, isso porque suas teorias são consideradas especulativas e até o momento não foram comprovadas.

Em outubro de 2017, a partir do choque de duas estrelas mortas, ondas gravitacionais puderam ser emitidas a partir da fusão tempo-espaço, o que foi um grande evento, não só para Hawking, como para toda a comunidade acadêmica. Este evento, como disse o físico em entrevista, é possivelmente a única maneira de se produzir ouro no universo.

Nos últimos anos Hawking unia esforços para confirmar a hipótese que contestava a primeira teoria dos buracos negros, dizendo que existem cabelos nos buracos negros. Esta frase nada mais é do que a tentativa de simplificar que de alguma forma os ‘cabelos’ seriam deformidades de minutos no espaço-tempo, que deixariam uma espécie de impressão holográfica e bidimensional, em que conteriam informações para se entender como os choques de estrelas acontecem. Entretanto, antes da sua morte esta teoria não foi comprovada palpavelmente.

O legado de Hawking começou certamente após o título de ‘o cientista mais famosos desde Einstein’, apesar disso, seu falecimento deixa ainda muitas dúvidas com relação à física quântica e ao universo, o que obriga aos meros mortais a esperarem surgir ‘o cientista mais famosos desde Hawking’.

O funcionamento dos buracos negros

O professor Glemistein Berger, que trabalha com o ensino da física em Ponta Grossa, explica que o buraco negro é um ponto no espaço que ocupa uma massa infinitamente grande e um espaço muito pequeno, fazendo com que a força de atração deste sobre outros corpos seja, também, infinitamente grande, impossibilitado até mesmo a passagem da luz, que acaba sendo desviada e sugada para dentro deste buraco negro.

“A maioria dos buracos negros se formam através de uma estrela muito grande. Se essa estrela utilizar todo o seu combustível, ou seja, se ela morrer, no momento em que ela morre é formado um caroço, que terá um decaimento sobre si mesmo, formando um buraco negro”, detalha Berger. “Então, teoricamente, o buraco negro era uma estrela que morreu, que deixou de existir, e isso faz com que naquela posição do espaço haja um buraco negro, por haver naquele lugar do espaço uma concentração de massa muito grande que atrai tudo que passa perto para o seu centro, sendo que nada escapa, nem a luz.”

 

Stephen Hawking ganhou personagens animados, participou de episódios em séries da TV americana e filmes, além de ter sido interpretado por Eddie Redmayne, em “A Teoria de Tudo”, confira algumas participações

Futurama (1999-2000)

Jornada nas Estrelas: Nova Geração (1993)

Uma Breve História do Tempo (1992)

Os Simpsons (primeira aparição em 1999)

Monty Python - O Sentido da Vida Ao Vivo (2014)

A Teoria de Tudo (2014)

The Big Bang Theory (2017)

Entretanto, Hawking propôs que, devido às leis da mecânica quântica, a radiação poderia sair de um buraco negro, já que o mesmo engole uma partícula e uma parte dela irradia para o espaço, “escapando” de dentro do buraco negro. A ideia do físico foi nomeada de Radiação Hawking, alegando que os buracos negros evaporam lentamente na forma desta radiação, restando apenas a radiação eletromagnética que eles emitiram.

A teoria da Radiação Hawking foi testada em laboratório pelo físico Jeff Steinhauer da Universidade Technion, em Israel e pelos físicos Chris Adami e Kamil Bradler, da Universidade de Ottawa. Ambos tentam provar a teoria inicial de Hawking, que até hoje não pôde ser confirmada.

Independente das provas concretas que perderam as chances de serem contempladas em vida, Stephen Hawking deixou a herança de uma física teórica acessível às mentes leigas, além do alerta para o uso indevido da inteligência artificial pela raça humana. Obcecado pelo tempo, seu desejo era viajar através de uma máquina para que, talvez, descobrisse o fim do universo cósmico. Sua energia em vida parece ter se esgotado mas, caso seja um novo buraco negro em uma galáxia próxima, sabemos que sua força não foi sugada e, assim como os hologramas que sobrevivem, segundo sua própria teoria, seu legado será eternizado.

Reportagem:

Aline Spinassi
Kethlyn Lemes

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